Matéria: João-de-Barro
Por: Gustavo van Deursen*
Todo brasileiro já decorou: 2014 é ano de Copa do Mundo e 2016 de OlimpÃadas. O que nem todo mundo sabe é que além de voltar os holofotes para nosso paÃs, estes dois eventos serão um dos propulsores do crescimento da construção civil a partir deste ano.
No entanto, em tempos de conscientização ambiental global, este crescimento deve servir como um alerta para a delicada relação entre a construção civil e o meio ambiente, tanto na fase de produção de seus insumos e construção, quanto durante toda a vida útil dos edifÃcios.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Civil Engineering Research Foundation, o meio ambiente é a segunda maior preocupação dos lÃderes do setor, perdendo apenas para a informática. Toda esta preocupação pode ser justificada pelo fato de que somente este setor consome de 15 a 50% de todos os recursos naturais extraÃdos, dentre eles mais de dois terços de toda a madeira natural.
Todos estes recursos são finitos e precisam ser levados até cada uma das obras. O resultado disso são reservas cada vez mais escassas e distantes dos grandes centros consumidores (a areia usada atualmente em São Paulo pode vir de mais de 100 km de distância), o que encarece toda a cadeia da obra.
Uma das conseqüências desta imensa quantidade de material utilizada é a igualmente enorme geração de resÃduos da construção civil, que em muitos casos supera a própria geração de resÃduos sólidos urbanos. Para ficar em somente um exemplo, a prefeitura de São Paulo recolhe diariamente 4.000 (!) toneladas de entulho.
Para finalizar, a atividade primordial da construção – a produção de cimento tipo Portland – é reconhecidamente uma das maiores fontes de emissão de CO2, o mais famoso dentre os Gases do Efeito Estufa, contribuindo com cerca de 5% das emissões globais.
A todos estes problemas, se junta também o fato de que os edifÃcios já construÃdos consomem 42% da energia elétrica gerada no paÃs, sendo metade apenas nos sistemas de condicionamento de ar.
Reverter cada uma das questões levantadas neste artigo deve ser, portanto, encarado como prioridade pelo setor como um todo, a fim de que nos aproximemos cada vez mais de um modelo de desenvolvimento econômico menos agressivo ao meio ambiente
* Gustavo van Deursen é engenheiro ambiental e consultor da empresa de consultoria EcoAct.


