Matéria: João-de-Barro

A leitora M. C. D. P. S. nos enviou a seguinte pergunta:

Ouvi dizer que há impacto causado pelas florestas de Eucalipto. Será então que sendo assim a construção com Eucaliptos é mesmo ecológica?

E a nossa equipe procurou o Sidney Martins que já está há muitos anos no mercado com a Martins e Valdisserra Ltda que nos respondeu:
R: Não há ação humana que não tenha impacto ambiental e todos os processos tem um maior ou menor impacto ambiental. Porém, nada tem maior impacto ambiental do que o concreto e a alvenaria. Todos os ingredientes do concreto são minerais de extração, não renováveis e ninguém questiona, basta observar comoficam os lugares de onde se extraem ferro, areia, pedra e as matérias primas do cimento; tijolos e telhas além de serem extraídos do solo ainda sofrem um processo de queima com altíssimo índice de emissão de poluentes. O processamento do ferro, aço e cimento também passa drasticamente pelo mesmo processo de fabricação com altíssima emissão de poluentes. A madeiras nativas nem se fala, seria um recurso renovável, mas são árvores de crescimento lento e ninguém extrai com responsabilidade desde que os portugêses chegaram aqui.

O eucalipto não é nativo do Brasil, veio da Austrália, acostumado à solos difíceis, afinal praticamente metade da Austrália é deserto, é plantado em áreas já desmatadas e usadas à muito tempo em outras culturas, também não sofre insdustrialização, apenas o tratamento em vácuo e pressão (osmopressurização) sem queima de combustíveis.

Toda plantação, que não a mata nativa, que estava naquele lugar vai causar maior ou menos impacto naquele solo, a questão é: se vamos construir ou ocupar um espaço podemos e devemos nos preocupar em causar o menor impacto possível. Seria bastante interessante que se fizesse um estudo dos materiais envolvidos na construção civil e os impactos causados desde a extração, fabricação e instalação.

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Foto: http://www.monografias.brasilescola.com/

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Matéria: João-de-Barro

Cada vez mais se fala em bio-construção, ou seja, construir com menos impacto ambiental, usando materiais que causam baixo impacto na natureza e interagindo com o ambiente à sua volta. O uso consciente de materiais que podem ser reciclados, o reaproveitamento da água da chuva, dispositivos que economizem água e energia e outras inovações que um bom arquiteto já disponibiliza no ato do projeto da casa. Para a estrutura de madeira, é sempre necessário lembrar que a madeira de reflorestamento já ocupa lugar importante no projeto e já está disponível para todas as aplicações.

Quando uma floresta é desmatada, até as árvores que ficam em pé são prejudicadas, pois embora sobreviventes, precisariam da proteção da mata que estava à sua volta, e acabam perecendo. Ou seja, o desmatamento no Brasil está atingindo dimensões catastróficas e percebemos a dificuldade dos órgãos ambientais em conter os abusos. Cabe também a nós consumidores na hora de comprar madeira para construir termos consciência ambiental. E isto vem acontecendo embora lentamente nos últimos anos, pelo menos em Ilhabela.

Mais e mais pessoas têm optado pelo eucalipto e pinus autoclavado, árvores exóticas, ou seja, que não pertencem à nossa floresta nativa e que, podem ser usadas com segurança em sua obra quando tratadas pelo processo de autoclave com CCA (arseniato de cobre cromatado), que lhes garante proteção contra cupins e outras pragas e o apodrecimento. Além disso, uma madeira nativa serrada de 20 x 20 cm vem de uma árvore da floresta que tinha mais de 100 anos de vida, enquanto o eucalipto e o pinus atingem esse diâmetro para corte entre 08 e 12 anos, plantados em áreas já utilizadas em outros cultivos, portando minimizando assim o impacto ambiental.

Em relação à substituição da estrutura de concreto pela de eucalipto, considere que todos os materiais usados na alvenaria são de fontes não renováveis, extração de pedra, ferro, areia e dos minerais usados na fabricação do cimento, sendo assim um impacto ambiental irreversível. Outra vantagem é a alta resistência que o material apresenta quando solicitado, em flexão de 121,4Mpa e compressão, paralela às fibras, de 62,8Mpa, características que permitem vencer grandes vãos sem colunas.


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